Está disponível para download gratuitamente o jogo educativo ‘Perfilando’, que tem como objetivo mostrar, de forma prática, como as redes sociais capturam e organizam os dados dos usuários. O jogo foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT-USP) e pensado para ser aplicado por educadores com jovens e adolescentes em idade escolar, a partir do 6º ano do Ensino Fundamental. O site para download dos materiais pode ser acessado aqui.
A dinâmica propõe que os jogadores tentem adivinhar qual é o perfil dos colegas a partir de likes ou dislikes em sugestões de vídeos indicados pelo educador. Por meio dessa atividade, o jogo mostra como ocorre o perfilamento feito pelas redes sociais. “Perfilar”, nas redes sociais, quer dizer organizar e agrupar os dados dos usuários, identificando perfis, comportamentos e gostos para predições de consumo e ações econômicas e políticas.
Roseli Figaro, coordenadora do CPCT-USP, explica que a proposta é gerar reflexão e conscientizar sobre a importância da proteção dos dados pessoais e o impacto das escolhas individuais no mundo digital. “Ao concordar com os termos de uso das plataformas, damos permissão para que nossos dados sejam usados de diversos modos. Usar as redes sociais significa entregar, voluntariamente, dados valiosos”, explica a pesquisadora e professora da Universidade de São Paulo.
O jogo se enquadra na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, assim como adere às competências e habilidades do Currículo Paulista. Talitha Paratela, doutoranda do CPCT-USP, e Rayna Muniz, aluna de iniciação científica, redigiram o jogo. Talitha explica que cada sugestão foi pensada para se conectar com conteúdos que podem se desdobrar em disciplinas na sala de aula. “O jogo provoca reflexão ao transformar o conhecimento em uma experiência que estimula o questionamento das práticas dos alunos nas redes sociais”, conta ela.
O jogo foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Universidade de São Paulo (USP) e faz parte, como atividade de extensão, da pesquisa “Datificação da atividade de comunicação e trabalho de arranjos de comunicadores”.