A comunicação afrodiaspórica decolonial de mulheres negras brasileiras de quatro coletivos nas redes digitais

Autor: Ceres Marisa Silva dos Santos

Essa tese investiga, identifica e contextualiza a Comunicação e a apropriação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) de quatro entidades de mulheres negras brasileiras. Duas da Bahia: Instituto Odara e Flores de Dan; uma pernambucana: Associação das Mulheres Rendeiras; e uma carioca: Criola. Observa, se as iniciativas digitais têm ampliado não só a apropriação das redes sociais por essas mulheres/instituições, mas, também, contribuído para o fortalecimento dos discursos desse segmento, os feminismos negros, aqui denominados de ‘pensamento afrodiaspórico decolonial de mulheres negras’, qual seja, aquele emergido pela práxis das mulheres negras na diáspora e que é constituído de uma perspectiva de emancipação e resistência à modernidade/colonialidade, que respeita o conhecimento ancestral, os afetos e a produção do conhecimento dentro de uma lógica de pluralidade epistemológica, a diversidade de cosmovisões de mundo e que ambiciona o Bem Viver. Essa tese também identifica a presença ou não das brechas digitais e processos de exclusão no uso das TIC’s por essas mulheres. Para isso, recorre à Análise Crítica do Discurso (ACD), a partir dos pressupostos de Teun Van Dijk das postagens das quatro entidades no Facebook por um período 30 dias nas entidades Instituto Odara e Criola. Já no Instituto Flores de Dan e Associação das Mulheres Rendeiras o prazo teve que ser dilatado para se adequar a realidade de cada instituição no uso das redes sociais. A partir da ACD essa tese identificou os conteúdos discursivos, a criação e recriação de ações ativistas específicas, voltadas para a organização desse movimento social, uma vez que esses repertórios indicam identidades coletivas e, principalmente, o direcionamento dessas iniciativas. Propõe, ainda, de forma inovadora, o uso da proposta de Estratégias Sensíveis, de Muniz Sodré, como categoria de análise da produção desses coletivos, no Facebook, uma vez que o campo das emoções, dos afetos tem espaço privilegiado na luta das mulheres negras diaspóricas. Ainda como referencial metodológico recorre a netnografia e a Pesquisa Ativista que prevê não mais ‘objetos ou sujeitos’ de estudos, mas participantes, pois o desenvolvimento da pesquisa é dialogado com mulheres dos quatro coletivos para contribuir na organização dessas instituições, no campo da Comunicação.

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