Plataformas estão nadando de braçada no Brasil e o que elas fazem é barbárie, diz Roseli Fígaro

Pensamos que a tecnologia está mudando e modernizando o mundo do trabalho e quem não quer se modernizar está atrasado. Este é o discurso hegemônico: as pessoas não se qualificam. Mas, para usar um aplicativo, não é preciso de qualificação. Se a tecnologia é tão avançada, por que se estabelece um trabalho tão retrógrado?“, questiona Roseli Fígaro, coordenadora do CPCT.

Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU), órgão ligado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), ela comenta os resultados apresentados no recém-lançado relatório brasileiro do projeto Fairwork.

A pesquisadora, que integra a iniciativa da Universidade de Oxford, liderada no Brasil pelo Laboratório de Pesquisa DigiLabour, colaborou no processo de avaliação das seis maiores plataformas que atuam no país: iFood, Uber, Rappi, 99, GetNinjas e Uber Eats.

Por sinal, nenhuma delas teve pontuação boa. A maior nota (de 0 a 10) foi 2, alcançada por iFood e 99. Uber marcou 1, enquanto Rappi, GetNinjas e Uber Eats tiraram 0.

O Brasil é o segundo país mais mal pontuado nos relatórios Fairwork; só estamos acima de Bangladesh. Por que isso acontece no país? Porque temos uma tradição de trabalho informal, de relações de trabalho que são ainda pré-capitalistas e que permitem que essas empresas, ao chegarem no país, sejam vistas como benfeitoras, permitindo que elas tomem atitudes absolutamente em desacordo com a legislação“, pondera.

Por isso mesmo, ela defende a necessidade de regulamentação das relações de trabalho nas empresas de plataformas, de modo que os motoristas e entregadores possam ter direito a condições de atuação e de remuneração justas.

Confira a íntegra da entrevista de Roseli Fígaro ao IHU aqui.

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