Prescrições de comunicação e racionalização do trabalho: os ditames de relações públicas em diálogo com o discurso do IDORT (anos 1930-1960)

Autor: Claudia Nociolini Rebechi

Este estudo trata das prescrições de comunicação no contexto organizacional em diálogo com os princípios da racionalização do trabalho difundidos na primeira metade do século XX. Em especial, focaliza-se na análise dos ditames de relações públicas admitidos e disseminados pelo discurso do Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT). O uso de comunicação articulado pelo ideário de relações públicas, à época, indicava a proposição de orientações e normativas consideradas adequadas à administração das relações de trabalho em empresas pela classe dirigente interessada no processo de industrialização do país. O IDORT, cuja doutrina apoiava-se, em grande medida, nos preceitos da “Organização Científica do Trabalho” estabelecidos pelas filosofias taylorista, fordista e do movimento das “relações humanas”, reconheceu na ideia de apaziguamento das tensões sociais no ambiente de trabalho, mobilizada pelo ideário das relações públicas, uma proposta conveniente ao processo de racionalização do trabalho nas organizações. Sob essa perspectiva, a tese se propôs a estudar as prescrições de comunicação nas empresas em relação aos princípios da racionalização do trabalho, orientadores da principal lógica de organização e gestão do trabalho no período dos anos 1930-1960, tendo por base o discurso do IDORT. Por meio de um percurso teórico-metodológico que contemplou uma ampla pesquisa em arquivos, foi realizado um levantamento de documentos fundamental para conhecer a trajetória institucional do IDORT – seus interesses e suas posições políticas e sociais – e os ensinamentos de relações públicas que o Instituto compartilhava e legitimava. Neste caso, realizou-se uma prática de leitura do material, focalizada em sua discursividade, para conhecer as condições de produção sócio-históricas e ideológicas das prescrições de comunicação focalizadas. O corpus da pesquisa contemplou três tipos de materiais: textos da revista institucional do IDORT, apostilas dos cursos de relações públicas promovidos pelo Instituto e textos sobre relações públicas divulgados por entidades congêneres do IDORT na França. Sobretudo nos anos 1950 e 1960, duas entidades francesas promotoras da racionalização do trabalho e aliadas do IDORT também interessaram-se pela filosofia de relações públicas e reconheceram seus ditames. As análises dispostas no estudo demonstram a plausibilidade das duas hipóteses que guiaram a tese: o desenvolvimento da atividade de relações públicas no Brasil recebeu influência dos princípios da racionalização do trabalho admitidos pelo IDORT e a gênese das prescrições de comunicação nas relações de trabalho em organizações apresenta relação direta com os mesmo princípios.

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